Atualmente existem diversos simuladores de Fórmula 1 com recursos gráficos e sonoros realmente impressionantes. Apesar disso, não considero nenhum deles como sendo o melhor simulador de todos os tempos. Para mim, este se encontra no Mega Drive, e chama-se Super Monaco Grand Prix.

Devido a época de produção (início dos anos 80 para Arcade e lançado na década de 90 para Mega Drive) não possui gráficos tão impressionantes quanto os dos jogos atuais. Porém, é rico em detalhes que contribuem para uma simulação mais próxima do real.
Sistema de danos
Os jogos contemporâneos consideram sistema de danos, amassados na lataria e arranhões na pintura. Mas você pode bater e capotar o carro 1 milhão de vezes que ele continua andando, sem ter sofrido alteração alguma no desempenho geral.

No Super Monaco GP isso é diferente. O carro não sofre mudanças visuais, mas em compensação a jogabilidade cai bastante de acordo com os acidentes sofridos. O desenvolvimento das marchas passam a demorar mais do que o normal; o carro já não corresponde aos comandos do volante com tanta precisão; e se o acidente for muito grave, o carro é retirado da pista - e perde a corrida.
Troca de equipes
Estão disponíveis 3 modos de jogo. O modo Super Monaco GP (1) traz apenas uma competição na pista de Monaco. No Free Practice (2) você pode treinar livremente em quase todas as pistas. E no principal, World Championship (3), você participa de um campeonato mundial, competindo com pilotos de várias equipes.

Um recurso bem interessante é a possibilidade de trocar de equipe. Assim como na Fórmula 1, quando você começa a se destacar no campeonato (alcançando boas posições nas corridas), recebe proposta de equipes com carros melhores e mais conceituadas. E não pense que estará tudo garantido depois que entrar para uma boa equipe: Se você não manter o bom desempenho e começar a despencar no campeonato, sai da equipe e vai para outra de classe mais baixa e com carros ruins.
Treinos
Os pilotos de Fórmula 1, antes de arriscarem suas vidas correndo à mais de 200 KM por hora, estudam a pista e treinam bastante. Em Super Monaco GP isso também é possível. Você pode treinar quantas vezes quiser até se sentir seguro. Na época que eu estava jogando criei uma regra: Inicialmente fazia um treino de 5 voltas e, se me sentisse preparado, iniciava a corrida. Caso contrário continuava o treino.
Câmera

Na maioria dos jogos de corrida atuais, quando a câmera em primeira pessoa é ativada, o carro misteriosamente some da pista - isso é como jogar um FPS (first person shooter, ou tiro em primeira pessoa) sem ver a arma -, e a jogabilidade cai bastante. Em Super Monaco GP você tem a visão do volante - o que contribui bastante para a simulação -, do painel do carro, e das laterais.
Desenhos das curvas e redução de marchas
Esse detalhe é mais importante do que todos os que foram citados. A jogabilidade desse jogo é impressionante, as curvas foram desenhadas de uma maneira que força o jogador a usar os mesmos métodos dos pilotos de Fórmula 1.
As curvas não exigem apenas que você direcione o controle na direção correta e solte um pouco o acelerador. Tem que saber usar o freio no momento certo, usar a zebra quando necessário, e o mais difícil: Reduzir marchas. A redução é tão importante para a perfeição das curvas que até no modo automático é possível - e necessário - reduzir marchas. E isso não pode ser feito de qualquer maneira. Dependendo da velocidade, será necessário reduzir mais de uma marcha. Se o fizer demais, perderá velocidade, e se o fizer de menos, não conseguirá fazer a curva. Não existe um paradigma, tudo depende das condições da curva e da velocidade que o carro estiver. Cada jogador desenvolve o seu próprio método. Eu, por exemplo, em alguns casos não reduzo marcha, apenas uso o freio. Já meu irmão, nunca usa o freio e sempre reduz marchas.
São detalhes aparentemente pequenos, mas que se tornam um grande diferencial no quesito emulação. Com os recursos existente hoje em dia, as produtoras incluiriam esses e até outros detalhes mais poderosos num piscar de olhos, mas por se preocuparem demais com os gráficos e sons, esquecem do principal, da jogabilidade.